E se fosse possível saber por onde um animal passou durante o dia, quais áreas do pasto ele mais utiliza e até identificar quando ele saiu de uma região determinada?
Isso já é possível.
A geolocalização para gado é uma das tecnologias que vêm ganhando espaço na chamada pecuária de precisão. Por meio de dispositivos instalados nos animais, produtores e pesquisadores conseguem acompanhar sua localização e movimentação, transformando informações que antes eram difíceis de observar em dados que podem apoiar o manejo.
No Brasil, a própria Embrapa já publicou pesquisas sobre receptores GPS para estudar o comportamento de bovinos em sistemas extensivos.
Como essa tecnologia acompanha o gado?
A lógica é parecida com a do GPS que usamos no celular ou no carro: um dispositivo recebe sinais de satélites e permite determinar sua localização.
No caso da pecuária, esse equipamento pode ser instalado em colares, brincos eletrônicos ou outros dispositivos de identificação animal, dependendo da solução utilizada.
A tecnologia permite registrar informações sobre a posição e o deslocamento dos animais. Em uma propriedade, esses dados podem ajudar a entender como o rebanho utiliza diferentes áreas da pastagem.
Em um estudo realizado no Pantanal, e publicado pela Embrapa, utilizou colares com receptores GPS para monitorar vacas Nelore e seus bezerros, analisando padrões de ocupação e deslocamento dos animais.
Outro trabalho publicado pela instituição avaliou a utilização de GPS em bovinos criados em pastagens nativas e mostrou que a tecnologia poderia ajudar a analisar a distribuição dos animais pela paisagem, inclusive em relação a elementos como bebedouros e cochos.
O que o produtor consegue descobrir?
Uma das grandes vantagens desta tecnologia de monitoramento é transformar o deslocamento do animal em informação.
Entre as possibilidades estão:
- entender quais áreas do pasto são mais utilizadas;
- acompanhar a movimentação do rebanho;
- identificar padrões de deslocamento;
- observar a distância percorrida pelos animais;
- apoiar estudos sobre comportamento e bem-estar;
- relacionar a movimentação com recursos disponíveis na propriedade.
Isso pode ser especialmente interessante em propriedades extensivas, onde acompanhar individualmente todos os animais é uma tarefa complexa.
Essa tecnologia já funciona na prática?
Sim. Uma solução brasileira apresentada pela Up2tech, por exemplo, utiliza brincos eletrônicos com GPS para rastrear bovinos. Segundo o Canal Rural, a tecnologia da empresa permite visualizar a localização e o trajeto dos animais, criar cercas virtuais e receber alertas quando um animal sai de uma área delimitada.
A proposta mostra uma mudança importante na pecuária: em vez de depender apenas da observação presencial, o produtor pode combinar olhar humano e dados digitais para acompanhar o rebanho.
Foto: Divulgação | UP2Tech/iBOI
O futuro da pecuária está cada vez mais conectado
O GPS para gado faz parte de um movimento de transformação da pecuária em uma atividade cada vez mais orientada por dados.
Hoje, vemos pesquisas e projetos voltados ao monitoramento animal em tempo real, combinando tecnologias como IoT (internet das coisas), identificação individual e comunicação de longa distância.
Tudo isso mostra que o que antes era difícil de acompanhar já está se transformando em informação e conhecimento para tomar decisões melhores no campo.
Do rastreamento à gestão: conheça a pecuária ao redor do mundo
Para quem trabalha com o agro, conhecer como as soluções são utilizadas em diferentes realidades pode ampliar o repertório e ajudar a identificar possibilidades que fazem sentido também para o Brasil.
A CAEP conecta profissionais, produtores, estudantes e empresas a programas internacionais que aproximam o participante de diferentes sistemas de produção, incluindo programas dedicados à pecuária.
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