Durante muito tempo, acompanhar uma lavoura significava estar fisicamente nela.
Percorrer talhões, observar plantas, avaliar o solo, identificar alterações e tomar decisões a partir daquilo que era possível enxergar diretamente.
Hoje, a agricultura ganhou uma nova perspectiva: ela também pode ser observada do espaço.
Satélites já fazem parte do ecossistema de agricultura digital e permitem acompanhar grandes áreas agrícolas de forma recorrente, gerando informações que podem ser combinadas com dados climáticos, sensores, mapas de solo e modelos de inteligência artificial.
O resultado é um campo que passa a ser observado não apenas em um determinado momento, mas ao longo do tempo.
O que um satélite consegue enxergar?
As imagens utilizadas na agricultura podem fornecer diferentes tipos de informação sobre uma área.
Dependendo do sensor e da metodologia utilizada, elas podem ajudar a acompanhar:
- desenvolvimento da vegetação;
- alterações no uso da terra;
- condições das culturas;
- padrões de crescimento;
- estresse das plantas;
- estimativas de produtividade;
- mudanças que podem indicar problemas na lavoura.
Isso não significa que o satélite “substitui” o produtor ou o agrônomo. Na verdade, ele adiciona uma camada de informação à tomada de decisão.
E se os dados de satélite encontrarem a inteligência artificial?
É aqui que a tecnologia fica ainda mais interessante.
Quando imagens de satélite são analisadas por modelos estatísticos e algoritmos de aprendizado de máquina, é possível identificar padrões que seriam difíceis de observar manualmente em grandes áreas.
Um exemplo recente vem da Embrapa, que desenvolveu um modelo utilizando imagens diárias do satélite PlanetScope, combinadas com técnicas estatísticas e aprendizagem de máquina, para estimar produtividade agrícola.
Nos testes, o modelo alcançou 89% de acerto na previsão da produtividade da cana-de-açúcar e 71% para a soja.
O potencial é significativo e mostra que estimativas mais precisas podem apoiar decisões relacionadas a comercialização, colheita, logística e planejamento da produção.
Ref: https://conexaosafra.com/cafeicultura/inteligencia-artificial-revoluciona-mapeamento-de-cafezais-no-brasil/
A agricultura está ficando cada vez mais orientada por dados
O avanço do sensoriamento remoto faz parte de uma transformação maior e mostra que a agricultura digital está tornando possível coletar e cruzar uma quantidade cada vez maior de informações sobre as operações agrícolas.
O desafio agora passa a ser transformar esse volume de dados em informação útil para a tomada de decisão.
E esse é um dos pontos em que inteligência artificial, automação e agricultura de precisão começam a se encontrar.
Uma nova forma de enxergar o campo
Talvez a maior mudança provocada pelos satélites não seja tecnológica, mas conceitual.
Durante séculos, o agricultor precisou estar no campo para observar o campo.
Hoje, é possível combinar diferentes perspectivas: o que o produtor vê no solo + o que os sensores medem + o que o satélite observa + o que os modelos conseguem interpretar.
Essa combinação abre espaço para uma agricultura cada vez mais conectada, e mostra que o que hoje parece tecnologia de ponta, pode se tornar parte da rotina agrícola nos próximos anos.
Quer conhecer outras tecnologias que estão transformando o agro?
A CAEP conecta estudantes, profissionais e empresas a experiências internacionais em diferentes polos de inovação agrícola.
Por meio de programas personalizados, é possível conhecer universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia, propriedades rurais e eventos internacionais onde essas soluções estão sendo desenvolvidas e aplicadas.
Porque acompanhar a inovação também é uma forma de se preparar para o que vem pela frente.

